Fonte: G1

Com 11.603 vagas de trabalho abertas somente no primeiro trimestre deste ano, a indústria da construção civil paranaense está entre os destaques da retomada econômica. O dado é do Novo Caged e mostra um desempenho 126% maior na geração de empregos em comparação ao primeiro trimestre de 2020. O segmento figura na lista de atividades essenciais, o que garantiu certo fôlego durante a pandemia, mas o avanço conta com outros elementos, como a ampliação do uso do BIM (Building Information Modeling).

O software permite a automação de dados e processos relacionados à construção civil, com ganho de eficiência e precisão nos projetos. “Muitas grandes empresas já iniciaram o processo de adequação para uso do BIM há algum tempo e se tornaram referência; a grande maioria das indústrias da construção civil já reconhece os benefícios do uso dessa tecnologia”, observa Letícia Gonçalves, coordenadora do Instituto Senai de Tecnologia (IST) em Construção Civil do Sistema Fiep.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que o aumento da produtividade pode chegar a 10% com o BIM. Outro dado que chama a atenção é que a tecnologia pode reduzir em até 20% o custo de obras públicas. Para auxiliar as indústrias do Paraná na migração, o Sistema Fiep, por meio do Senai, lançou este ano um programa de Residência Técnica em BIM, que terá abertura para participação da segunda turma ainda neste segundo semestre de 2021. As empresas interessadas podem se inscrever aqui.

“O IST de Construção Civil atende empresas com diferentes níveis de maturidade BIM, indo ao encontro da necessidade específica de cada uma, de acordo com seus objetivos e modelos de negócios, seja na atuação na concepção de projetos, planejamento, construção ou operação das obras”, destaca Letícia.

Integração e virtualização de processos

Uma das empresas que já está participando da iniciativa é a BPro Smart BIM Engineering, braço tecnológico da RAC Engenharia. O CEO Thiago Weingartner conta que a Residência Técnica em BIM veio em boa hora: “Estamos fazendo a integração entre as empresas do grupo e precisávamos que o nosso modelo de trabalho acompanhasse essa transição”. Além da automação de dados, o BIM concentra todas as informações de projetos em uma plataforma digital e permite a visualização tridimensional dos produtos da construção civil.

A ferramenta é também mais um passo rumo à indústria 4.0. Com o uso da tecnologia, a construção civil passa a gerir dados com muito mais eficiência, personalização e controle orçamentário apurado. Fatores bem importantes para o setor responsável por 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e que, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), deve crescer 4% em 2021. “Em linhas gerais, independentemente do uso ou fase em questão, a adoção da tecnologia BIM traz ganhos consideráveis para o setor, proporcionando uma gestão digital e inteligente de todas as informações que compreendem uma edificação”, pontua Letícia.

BIM acessível às indústrias

Em 2020, um levantamento realizado pelo BIM Brasil Maturidade identificou que 70% das empresas que atuam no ramo da construção civil no Brasil ainda não utilizam o software. A migração passa por alguns desafios, como custos e equipe técnica especializada para orientar as empresas. O Sistema Fiep, por meio do Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil, quer que a digitalização seja mais acessível às indústrias paranaenses. “Para muitos profissionais da área, a forma como essa migração deve acontecer é nebulosa. Temos uma equipe capacitada para apoiar a indústria da construção civil nesse processo, prestando consultorias para implantação da tecnologia BIM, personalizada para a realidade de cada empresa”, esclarece Letícia.

Na BPro, os primeiros resultados da Residência Técnica em BIM já podem ser percebidos. “Desenhamos os fluxos de processos, entendemos qual o estágio BIM em que nos encontramos e a expectativa é concluir o programa com um nível de entrega mais rápido e muito melhor”, diz o CEO Thiago Weingartner. “O Sistema Fiep, por meio do Senai no Paraná, cumpre um papel importante no treinamento e na capacitação dos players de mercado”, conclui.

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