Por Felipe Basso – Gerente de Operações / Tecverde Engenharia

Industrializar é preciso!

Içamento Cobertura

Os níveis de produtividade da indústria da construção ainda são muito inferiores que os de indústrias como a de tecnologia, comunicações e automobilística por exemplo, mas, mesmo quando comparamos com a média das indústrias, a construção ainda se destaca pelo seu baixo desempenho em termos de produtividade e eficiência.

Buscando reduzir tamanhos desperdícios de produtividade que já passam a marca do U$ 1,6 trilhão de dólares anuais, globalmente, a industrialização da construção surge como um tema predominante do mercado internacional. Incluindo o envolvimento de órgãos governamentais, compromissos, programas e manifestos estão tomando a cena dos fóruns técnicos e estudos no que diz respeito à industrialização do processo de construção.

O movimento aqui pelo Brasil também está acontecendo. Os investimentos e a aplicação dos conceitos ainda não estão tão presentes proporcionalmente se comparado à países desenvolvidos, mas já existem exemplos reconhecidos aqui no país. Um deles, que veremos aqui, é o caso do da industrialização do wood frame.

Observando, estudando e atuando no mercado da construção industrializada nos últimos 12 anos aqui no Brasil, pude perceber claramente a evolução do processo, que se intensificou muito (MUITO) nos últimos 5 anos.

Conceitualmente, o mercado tem considerado construção industrializada, aquela obra ou projeto que utilize um sistema construtivo, nas fases estruturais ou de fechamento, que seja produzido em um ambiente fabril (dentro ou fora da obra) e posteriormente montado/acoplado ou instalado na posição de serviço.

Mas, extrapolando um pouco este conceito e levando em consideração todas as soluções para construção industrializada disponíveis no mercado, podemos dizer que o termo se refere a qualquer obra/projeto que utilize, soluções industrializadas para ganho de produtividade na entrega do produto final, seja através de sistema construtivo, sub-sistemas, processos de gestão, de produção ou de logística.  Ou seja, tudo aquilo que aproxima o processo de construção à um processo de fabricação.

Além disso ainda devemos considerar o fato de que há sistemas construtivos industrializados de elementos (pilares, vigas e lajes), painelizados (paredes, escadas, fachadas) e também modulares (módulos/ambientes completos). É nesse aspecto que entram as principais contribuições do wood frame no desenvolvimento da construção industrializada no Brasil.

Há pouco mais de dez anos, quando a construção em wood frame industrializada começava a ganhar notoriedade no país, havia basicamente sistemas pré-fabricados de concreto e aço, predominantemente atuando em projetos industriais e comerciais, mas com baixa penetração no mercado residencial. Com nível baixo de industrialização, esses sistemas geralmente eram voltados para a estrutura e fechamento dos edifícios.

Nesse momento o wood frame apostou na painelização automatizada como solução de industrialização, podendo através disso, reduzir a quantidade de elementos construtivos para uma edificação e além disso agregar sub-sistemas e revestimentos aos painés, gerando uma diferença notória no nível de industrialização em relação aos sistemas de mercado à época.

Montagem Hospital | Tecverde

De lá para cá houve vários avanços no nível de industrialização da produção de wood frame no Brasil, que hoje nos colocam num nível de industrialização altíssimo, no exemplo da Tecverde Engenharia, um dos painéis ou paredes de uma edificação são produzidos em cerca de 15 minutos, contendo: estrutura, revestimento interno e externo, esquadrias instaladas e estanques, sistema elétrico e hidráulico embutido na parede. Além disso, com 7 desses painéis, é possível edificar uma residência popular com cerca de 50m². Ou seja, em menos de duas horas, é produzida uma casa completa com o nível de industrialização descrito acima. Esses números são comparáveis as fábricas mais eficientes do mundo, com um grau relevante de personalização, permitido aos projetos.

Além disso, nos últimos cinco anos, o sistema tem passado por diversas evoluções no que diz respeito a gestão do processo de construção, projeto, logística, painelização e modularização, com objetivo de preencher as lacunas que restavam em relação ao ganho de produtividade.

Atualmente, são muitos exemplos de soluções e técnicas que destacam o sistema industrializado em wood frame, como um dos sistemas mais industrializados e eficientes.

Após analisarmos o processo de construção adicionando uma ótica industrial, atuando fortemente em padronização dos pacotes de trabalho, remoção dos estoques de produto semi-acabado entre as etapas construtivas e elevando o takt time consideravelmente, levamos toda a velocidade de produção obtida em fábrica para o canteiro, com suas adaptações e limitações claro.

Ao ponto que hoje na Tecverde, com o emprego do sistema, podemos executar a estrutura completa de um edifício de 4 pavimentos, com 16 apartamentos em 06 dias, já com revestimentos de gesso, instalações elétricas e hidráulicas, cobertura contraventada e estanque e também janelas instaladas.

FLOR DE LOTUS

Estes exemplos mostram um pouco do papel do wood frame no desenvolvimento da construção industrializada no Brasil. Muito recentemente, mais um avanço no nível de industrialização foi feito na construção de cinco hospitais permanentes para atendimento as vítimas do COVID19.

Como solução técnica para viabilizar os prazos desses projetos, cerca de 35 dias em média por hospital, do projeto até a entrega, soluções industrializadas painelizadas e modulares foram adotadas.

Acoplando as paredes industrializadas da Tecverde nos chassis metálicos produzidos pela Brasil ao Cubo, os módulos recém acoplados, ainda na fábrica da Tecverde, passaram por mais 12 processos, entre eles: instalações, revestimentos, pinturas, louças e acabamentos. E foram posteriormente enviados em carretas especiais para a montagem final. Estes elementos chegaram à um nível de 95% de industrialização.

Montagem hospital

Uma excelente experiência de combinação da estrutura metálica com o wood frame, trouxe um resultado de prazo expressivo para atender essa demanda emergencial. Experiências como essa contribuem imensamente para a evolução dos sistemas industrializados no país, podendo eles serem até mesmo híbridos em algumas situações, por exemplo nesse caso, combinando vantagens estruturais para grandes vãos, no caso da estrutura metálica com desempenho termo-acústico e velocidade de produção do wood frame.

Existe um grande caminho a ser percorrido em direção à máxima industrialização da construção. Este caminho nos colocará em um cenário mais sustentável no longo prazo, com mais produtividade e permitindo melhores preços nos produtos, melhores prazos e maior flexibilidade nos projetos de construção.

Hospital M'boi Mirim | Tecverde

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