Costumamos culpar diversos fatores pela mudança climática, como a queima de combustíveis fósseis e agropecuária. Se formos buscar uma estratégia válida para a redução destes efeitos, devemos ter a consciência de que a construção é o setor responsável por 44,6% da emissão do dióxido de carbono (CO2) nos Estados Unidos. Além disso, há uma previsão estimada de construção de 176 bilhões de m² nos próximos 33 anos. Essas emissões não diminuirão sem uma intervenção significativa.            

Floresta Maciça

A madeira maciça é realmente sustentável? Uma floresta pastoril (Flickr/Pfly)

 

Por outro lado, para arquitetos e engenheiros, isto significa que a oportunidade para reduzir as emissões de carbono está literalmente em nossas mãos. “Nenhum designer – na minha opinião – acorda pensando ‘Eu quero fazer o mundo pior hoje’ “diz William McDonough, arquiteto, designer e líder em desenvolvimento sustentável. “Fazer o mundo melhor, este é nosso trabalho”.

Identificar com sucesso alternativas sustentáveis para construção, pode ser difícil em um mar de “tecnologias verdes” e certificações no estilo check-list, mas muitos experts na área ambiental, arquitetos e cientistas estão olhando para construções em madeira como uma fonte confiável na redução da emissão de carbono e uso de combustíveis fosseis. Um estudo recente: “Carbono, combustíveis fósseis e redução da biodiversidade” constata que o uso de madeira como material na construção poderia salvar “14 a 31% da emissão global de CO2 e 12 a 19% do consumo global de combustíveis fósseis usando 34 a 100% do percentual mundial de madeira de reflorestamento.”

“O uso de madeira como material na construção poderia salvar “14 a 31% da emissão global de CO2 e 12 a 19% do consumo global de combustíveis fósseis usando 34 a 100% do percentual mundial de madeira de reflorestamento.”

Construir com madeira, reduz a pegada de carbono em diversas maneiras. Primeiramente, ela é um recurso renovável, seu crescimento é por um método de baixo impacto de produção (por exemplo, utiliza fotossíntese ao invés de uma infinidade de máquinas). Em segundo, florestas são abundantes nos Estados Unidos e o material não precisa ser importado de fora, reduzindo a energia gasta com transporte. “No presente momento nós extraímos menos da metade do que poderíamos, ainda estando dentro dos parâmetros de sustentabilidade,” explica Kathryn Fernholz, diretora executiva na Dovetail Partners, uma organização ambiental sem fins lucrativos. “Não é o mesmo em cada cenário em especifico, mas em geral nos Estados Unidos nós temos uma abundância de madeira”

Floresta Jovem

Um fragmento de floresta jovem e arbustos (Cortesia de US Fish and Wildlife Service)

 

Em terceiro, e possivelmente vindo para quebrar paradigmas, muitos ambientalistas acreditam que a colheita de árvores permite que as florestas se tornem mais eficientes no sequestro de carbono. A lógica é simples: quando uma arvore é cortada, ela detém o carbono absorvido. Quando outra árvore for plantada em seu lugar, ela também fara o aprisionamento de CO2, o que torna o fator de absorção carbônica pelas florestas multiplicado infinitamente enquanto arvores são plantadas, crescem e são extraídas.

“Uma tonelada de tijolos requer quatro vezes a quantidade de energia na produção do que uma tonelada de madeira serrada (material usado no CLT); concreto requer cinco vezes, aço 24 vezes, e alumínio 126 vezes.”

“Existe a crença que o corte de arvores é negativo e gera a redução das florestas, mas um mercado forte de produtos com base na madeira, nos faria crescer mais florestas” diz Fernholz. “A maior causa de desmatamento é tornar a terra propícia para o uso, como o desenvolvimento da agricultura. Nós conhecemos os recursos que temos, e fazemos o monitoramento e ajustes. O florestamento não está no mesmo lugar onde estava a 100 ou 50 anos atrás, quando o desmatamento era um grande problema.”

Enquanto há debates sobre desmatamento e reflorestamento entre especialistas ambientais, de maneira geral a madeira é um material sustentável pois é uma fonte renovável (considerando que práticas de madeira de reflorestamento sejam utilizadas). Isto inclui a energia consumida para produzir o CLT (Cross Laminated Timber) nas fábricas, o qual tem vantagens em relação ao aço e concreto no que diz respeito a emissão de carbono, pois não há a necessidade do aquecimento a altíssimas temperaturas, na verdade, não havendo a secagem da madeira em fornos, o calor não é necessário. Apesar de carbono aprisionado ser medido por construção, pois quantidades de diferentes materiais são usados em cenários diferentes, a Wood for Good, campanha da indústria madeireira para promover o material, afirma que uma tonelada de tijolos requer quatro vezes a quantidade de energia na produção do que uma tonelada de madeira serrada (material usado no CLT); concreto requer cinco vezes, aço 24 vezes, e alumínio 126 vezes.

“Madeira pode ser um bem durável, como vemos em edificações muito antigas como o Tempo em Nara, Japão [originalmente construído em 745 DC e reconstruído em 1709]”

“Relatar emissões de carbono para madeira inclui um leque de diferentes premissas e métodos,” explica Kathrina Simonen, professora de arquitetura da Universidade de Washington e diretora do Carbon Leadership Forum. “Então, as vezes traz resultados positivos e as vezes negativos, pode ser confuso.” Ela é otimista, contudo, a pesquisa está próxima de resolver as diferenças. Práticas florestais responsáveis estão a caminho, com extrações ocorrendo em longas rotações para que as florestas tenham tempo de se regenerar e possa haver o cuidado de evitar remover outras plantas, raízes e galhos no processo.

Por último, “Madeira pode ser um bem durável, como vemos em edificações muito antigas como o Tempo em Nara, Japão [originalmente construído em 745 DC e reconstruído em 1709],” diz McDonough. “Na história, é comumente colocado um ciclo de uso e reuso, que pode levar grandes componentes a outros menores.” Sua habilidade de resistir séculos e de ser desmontada e recomposta em outras edificações e móveis à mantem fora do descarte e em um ciclo perpétuo de uso, até que possa ser finalmente retornada a natureza de alguma forma.

Floresta Nortenha

Floresta Nortenha em Belkshire (Flickr/Anslatadams)

 

Apesar de 90% das edificações residenciais de 1 a 3 pavimentos já consistem em construções de madeira, existe apenas uma pequena porção de prédios médio e altos com essa tecnologia nos Estados Unidos, como resultado de políticas de construção que proíbem estruturas maiores do que 4 a 6 pavimentos. Contudo, graças a produtos inovadores, incluindo CLT, NLT (Nail Laminated Timber) e MLC (Madeira Laminada e Colada ou Glulam), agora os edifícios podem atingir até 40 pavimentos. Um estudo pela companhia Poyry e a New Englang Forestry Foundation mostra que o grande potencial de construções com estes métodos construtivos está em edificações de altura média (6 a 14 pavimentos) pois tendem a ser mais econômicos nesta escala. De acordo com o Soft-wood Lumber Board, mais de dois terços da demanda deste setor poderia ser executada com madeira maciça. Estas estatísticas combinadas, somadas com as altas edificações que a madeira possibilita,  possuem o potencial de trazer uma redução significativa na emissão de CO2 e uso de combustíveis fosseis.

Como praticamente tudo na arquitetura, é tudo questão de detalhes; para a madeira ser sustentável o processo deve ser executado corretamente, de práticas de florestamento responsáveis aos adesivos não prejudiciais ao meio ambiente à ligantes adequados para artesanato e o design em si. “É tremendamente emocionante. Construir com madeira cria diversas oportunidades – existem diferentes espécies e materiais com o qual podemos trabalhar” diz Fernholz. “Contudo, é importante reconhecer que algumas coisas podem vir da madeira, mas nada substitui um bom design e planejamento.”

Texto original publicado por Olivia Martin, Novembro de 2017. Tradução livre Tecverde. 
(https://archpaper.com/2017/11/timber-construction-sustainable/)
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